26/04/2015

Linhas e pontos

Enquanto lê, escute:



A gente sabe quantos pontos teve que dar
para fechar cada corte
e quantas linhas usamos 
para costurar nossos pedaços. 

Só a gente sabe o gosto da própria lágrima 
o vazio de cada soluço
a força feita para abrir um sorriso 
e a dor que dói o cansaço que cansa. 

Só a gente sabe o invisível, o indizível 
e o gosto ruim na boca
as olheiras, as horas em claro 
os espaços e os esparsos.

Só a gente vê a radiografia que não mostra os ossos 
o espelho que não mostra os contornos, 
o escuro 
mesmo quando os olhos estão abertos.
E a gente vê cinza, e a gente vê cinzas, 
e a gente vê nada. 

Só a gente sabe como é dormir no barulho 
conviver com o chão frio 
respirar memórias curtas
indagar se foi pesadelo
e querer que tenha sido. 

Só a gente descansa acordado, 
sente frio no verão, 
se aquece com livros 
e neles se esvai.

Porque só a gente sabe
e só a gente sente 
que precisa sentir menos. 
Que precisa sangrar menos.
Que precisa viver menos.
Porque nossos segundos equivalem a horas
Porque cada dia daria um romance.


12/03/2015

0526



Enquanto lê, escute:





Desaceleramos depois de inúmeros 140 batimentos por segundo. Onde nós estamos? Pela primeira vez em meses, eu quero me encontrar nesse lugar onde o pé no acelerador nos trouxe, por mais sinuosa que seja essa parte da estrada, por mais alto que estejamos, mesmo com todas esses buracos no asfalto e com todos os vazios que te ocupam no momento. A gente pode parar aqui. Ficar aqui, dentro um do outro, guardados em lugares inacessíveis. E nos camuflarmos no pôr do sol usando suas cores laranja e amarelo para ninguém que passe por aqui possa nos ver. Deixe-me tocar a sua mão que repousa sobre a alavanca de marchas, olhar os seus olhos de interrogação e reduzir o giro do motor. A gente fica por aqui um tempo. Eu respiro mais do ar que sai dos seus pulmões, nós sentamos para conversar e, enquanto estiver falando, sentirei com a lateral dos meus dedos os seus cabelos. Ficarei perto o suficiente para ouvir seus pensamentos fluindo na sua cabeça, tentando adivinhar suas feições.


Quando anoitecer, você pode me fazer de cobertor. Faço da minha pele lã. Dos meus membros seus fios. E te aconchego, te envolvo, te abraço e te digo que vai ficar tudo bem. Que nunca vou me arrepender de ter chegado até aqui em cima com você. Que voltar todo essa distância que percorremos, não devido ao tempo, mas à velocidade, será um desdar de mãos semelhante ao abandono de um sonho, que tem sido lindo, por sinal.

Eu posso sorrir para você. Quantas vezes você quiser. Nesse escuro só existirá branco de dentes e brilhos nos olhos. Eu posso te convencer, se você deixar. Mudar meu nome, cortar o cabelo, falar que tenho 30 e que estive nos últimos quatro anos em qualquer lugar, menos aqui. Eu fujo. Enfrento meio mundo. E nós seguimos esse caminho. Eu posso te convencer, se você deixar. Aprendo a jogar tudo para o alto e manter os pés no chão, a fazer de 15 anos, 15 semanas, invento a máquina do tempo. Ou eu posso te convencer, se você deixar. E permanecer aqui, ao seu lado, e entender o seu momento. Eu posso não mudar, escolher enfrentar, tudo por um beijo como o de ontem. E te ajudar, mesmo que em silêncio. Dizer que tudo vai ficar bem, mesmo que tenhamos que nadar contra a maré. Eu subo nas suas costas, você faz flexão, fica mais forte e me protege de todas essas ondas. Você já fez isso antes e já lutou muito pelo que realmente queria. Isso é tudo o que você realmente quer?

Agora, só com a lua por cima das nossas almas, só com a esperança de o sol surgir amanhã por mais segundos lado a lado, encoste seu corpo no meu. E deixe que eu sinta com o meu coração o seu. Disparado ou não, angustiado ou não, todo meu ou não. Quando a gente acordar, ou descemos rumo ao mar confuso que nos espera ou você me traz em casa. A história só pode ser gravada de duas formas daqui para frente: ou como uma quarta-feira à noite ou como um Março inesquecível.

Eu vou esperar. 

19/02/2015

Seu monólogo

Enquanto lê, escute:


Desde a hora em que acordei, andei pensando em te procurar e falar o tanto que queria reviver aquela uma hora de nossas vidas. E poder reparar na roupa que você usava no dia para que a eu de hoje lembrasse você com mais detalhes. Eu queria escutar mais uma vez cada palavra que você me disse, prestar atenção nos detalhes de como você conduziu uma das explicações sobre o ser humano mais lindas que já ouvi. Você falou quase sozinho no diálogo. Falou muito (você sempre fala), mas disse bastante também (como sempre diz). Poucas pessoas no mundo são como você. E eu, bem... Eu demorei um poema para notar isso... Você já vai entender.

Existem muitas pessoas vazias por aí que falam demais, mas têm teorias montadas em cima de um castelo de cartas. O oposto são as pessoas completamente cheias que falam pouco, suas teorias são verdadeiras teses, e pequenas frases que são pronunciadas fazem com que aprendamos lições de vida. E há aquelas pessoas que se assemelham a você, aquele tipo de gente que eu escutaria falar por horas seguidas sem me cansar, que precisa falar por muito tempo para concluir o pensamento, mas que faz de cada frase, não uma lição de vida, mas uma estrofe de um poema que, quando finalizado, é a teoria mais romântica e contraditoriamente mais real possível.

Eu acordei querendo me lembrar de cada palavra. E do jeito que você as articulou, mantendo-me apaixonada por cada coesão. Eu queria relembrar o movimento dos seus lábios, o timbre do seu olhar e o brilho da sua voz, que parecia estar, como eu, fascinada por tudo o que ela própria dizia. E ouvir de novo você falar o único trecho do seu monólogo do qual realmente me lembro com todos os detalhes, pausas para respiração e feições: "Todo mundo precisa ser um pouco romântico para ser feliz". Desde então você virou a prosopopeia de toda a utopia que ocupou minha cabeça nos últimos dias. Ou, dizendo em termos menos complicados, eu só consigo pensar em você desde aquela uma hora próxima às suas não intencionais formas de fazer com que eu me apaixonasse por você.

E hoje, especialmente hoje, eu ligaria se tivesse o seu número só para ouvir sua voz imperceptivelmente contando alguma crônica do dia. E contaria para você que eu sonhei o sonho mais doce da minha vida em uma dessas raras noites, como a de ontem, em que eu não acordo na madrugada. Eu sonhei a noite toda com abraços que me fizeram sentir-me confortável da mesma forma que me sinto enrolada no cobertor no outono, eu sonhei com um beijo bom. E no sonho, toda a ternura do mundo se concentrava na expressão que seu par de sobrancelhas e suas bochechas contraídas, num riso bobo, davam ao seu olhar.

Desde a hora em que acordei, andei pensando em te procurar e falar o tanto que queria reviver aquela uma hora de nossas vidas. Com certeza eu repararia na roupa que você usava, sentiria melhor o seu perfume, gravaria cada palavra e, ao final, diria muito mais que um obrigada. Eu ainda não tinha percebido, semana passada, mas o que eu escutei de você não foi, na verdade, uma das explicações sobre o ser humano mais lindas que já ouvi. Foi a melhor delas. E se você for bom em seguir suas próprias teorias, coloque metade de mim na realidade sem tirar minha outra metade das suas utopias. Eu adoraria ser parte dos próximos seus monólogos e habitar algumas de suas palavras. E habitar boa parte da sua vida.

17/11/2014

Meu infinito verão particular

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Água fria no corpo como se isso também refrescasse o sangue que me percorria, quente porque em cada gota havia um tanto de você febril. E, nessa tentativa de me resfriar por dentro, eu queria que a consequência fosse um eu mais frio também, de preferência congelante para que nenhum resquício de sentimento sobrevivesse a temperaturas tão baixas. Eu quis te esquecer porque sabia que, se continuasse a pensar em você, voltaria a morrer um pouco mais do que já morro por dia. Eu faria de você meu verão particular e sofreria no inverno da ausência sua. Flutuaria no deleite das palavras doces e me afogaria em cada até logo sem previsão de volta.

Você não me conhece tão bem quanto pensa, se conhecesse saberia que sou um quebra-cabeças de futuro. Eu vivo de acordar pela manhã e querer que o que eu sonhei aconteça logo. E querer que os sonhos mais românticos acontecessem passaria a incluir você. Eu precisava não pensar mais nas suas mãos em minha cintura e nas vezes em que senti seu coração batendo só de encostar meu peito no seu, porque isso tudo se repetiria como filme a cada vez que eu dormisse e não adiantaria acordar buscando reviver esses instantes. Você não estaria ali mais. Ao menos eu não teria essa certeza.

E, apesar de saber o melhor para mim, ainda assim a vontade de gritar seu nome tomava conta de mim. Fazê-lo ao menos me confortaria, pois o eco da minha voz me faria companhia a te chamar e, dessa forma, eu poderia ficar horas e horas ouvindo seu nome e sobrenome, nem que para isso eu tivesse que falar com todas as paredes da casa.

Eu queria você por perto. Próximo o suficiente para que seus lábios se movimentassem com os movimentos dos meus. Queria apneias causadas pelos seus beijos longos, taquicardias motivadas pelos arrepios que você me causa, queria que meus músculos requeressem mais litros de sangue. Queria o gosto que tudo o que você faz tem, seu timbre de trilha sonora, esse sorriso bobo e branco entre momentos vermelho-cereja e sua alma amarela e inocente guardada nesse olhar de homem.


Queria que você conversasse baixinho comigo até que eu dormisse, depois daquela noite tão longa, tão linda, tão memorável, mas finita. Eu queria que você ficasse comigo mais alguns segundos antes que eu tivesse que te esquecer. Que o sol não nascesse tão rápido, porque seria outro dia e só estaria novamente, com o gosto das lembranças e delas não podendo me lembrar. Eu só queria dormir pelo resto da vida, sonhar um filme nosso e nunca mais acordar para te ter comigo sempre. E poder ser sua sem culpa. Dessa vez, sem a dor do medo de acabar.



27/04/2014

Sorri

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Compro um só pão de sal pela manhã, às 6:15. Gosto de esperar que ele esfrie. Pão quente me dá enjoo. E eu me sento na mesa (na mesa mesmo). É ruim sentar numa cadeira quando não se tem alguém para assentar-se noutra. Ali tomo meu café doce e meio morno, mais pra quente que pra frio. Duas colheres de açúcar e uma pitada de sal dissolvido em água.
O short é sempre o mesmo, aquele que vem cá em cima e tem panos faltando embaixo, o moletom mais quente e sem calor tenta cobrir os membros, que não os inferiores, mas acho que ele perdeu algodão de tanto ter sido colocado na máquina de lavar. Pantufas. Assim mesmo que fui à padaria. E em casa assim fiquei. Em cima da mesa. Tomando café com pão. 
A manhã costumava melhor, mas amanhã não pode voltar a ser. Cada canto era preenchido por sentido. Até aquela cadeira vazia na sumária ausência. Até as palavras mais curtas às 6. Até o excesso de monossílabos em uma frase só.
Ausência. Silêncio. Paz inútil para quem quer barulho, turbulências ou sussurros para abafar o que vem de dentro. E agora tudo que me resta é comprar um pão. Um só pão ao som de mim mesma.

11/01/2014

Parou de passar

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O tempo parou de passar. Cheguei a essa conclusão ontem mesmo quando tentei fazer com que ele me ultrapassasse naquela estrada rumo a um lugar de paz, vulgo "lugar onde você não exista". Estava esperando que as horas fossem como carros a 180km/h na pista da esquerda, enquanto eu estava nos meus tranquilos 80 de velocidade. Eu até me lembrei de algumas aulas de física do começo do segundo grau. Tentei calcular coisas inúteis. Tudo enquanto esperava o tempo passar.

Cheguei a meu destino, que não era o destino que sempre imaginei que existisse para mim. Sina essa de esperar não existia em minha vida quando eu tinha lá os meus 15 anos. Mas enfim, cheguei. Não onde eu queria chegar, mas onde eu planejava chegar. E nada de ver nenhum carro de hora passando pela estrada. Nenhuma moto de minuto. Ou nem um ciclista de segundo. O tempo parou em algum lugar enquanto naquele lugar eu passava meu ausente e inexistente tempo.

Ele parou naquele dia. O tempo ainda era tempo, as horas ainda não eram carros. Ele parou na sua casa enquanto juntos estávamos na mesa de jantar de frente um para o outro. Ele parou quando aquela última gota escorreu dos meus olhos em seu território. Ele voltou várias vezes na parte em que você disse que era mais fácil seguir sem mim. Acelerou durante todos os momentos de brigas, discussões, durante os tempos em que não ouvimos o que falamos. Ele parou logo depois. E não passou. E se passasse, talvez eu pediria uma carona e deixaria que o tempo me deixasse onde meu tempo me deixou.

Mas ele não vai nem mesmo aqui chegar. Cheguei a essa conclusão ontem mesmo. O tempo parou de passar.


13/12/2013

Unknown 99

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Creio que não fomos devidamente apresentados. Quando você me conheceu naquela manhã cheia de ressalga fluindo junto ao vento, só ficou sabendo daquilo que de melhor eu tinha para lhe oferecer. Eu sei que você viu que eu era daquelas que gostava de abraços o tempo inteiro. Também sei que, por mais estranho que soasse um homem formado como você gostasse desse meu jeito, você o amou. E você viu que eu não conseguia parar de sorrir enquanto conversava. Percebeu que eu era atenciosa, que eu fazia as pessoas rirem de vez em quando e, que apesar de ser extremamente observadora, não deixava de dar minha opinião, às vezes errada, no momento certo.

Mas, como já disse, não fomos devidamente apresentados. A vida é injusta e os nossos sentimentos mais ainda injustos com a nossa razão. Se fôssemos apresentados de forma completa, você conheceria uma parte de mim que os sorrisos não mostram, você veria meus defeitos estampados na sua cara. E defeitos, já é bem sabido, quase sempre prevalecem às qualidades. Quase sempre. Quando a gente se apaixona, quando a gente tem esse sentimento de querer largar o mundo para poder ficar horas olhando nos olhos daquela pessoa... Ah, a gente só vê o lado bom daquele(a) que queremos ver toda hora. Sentimentos, vocês são ilusionistas de primeira. São mágicos que conseguem, em um estalar de dedos, transformar as imperfeições em "imperfeições" sem o prefixo de negação.

Mas voltando ao nosso diálogo, você não me conheceu quando nos apresentaram. Você me viu. E só. Naquele dia, você se apaixonou por que o meu superficial o pareceu tão minucioso, tão profundo, tão completo. E não era, apesar de parecer ser. Não era porque o contorno do meu corpo se encaixava ao seu que eu era aquela com a qual você sempre sonhou e nem porque eu insistia em opinar em tudo que seríamos o casal perfeito de ativistas. Você sempre quis ser um, não é?

Sim, eu podia ser tudo aquilo que você imaginou. Você viu meu um por cento e completou com a imaginação os outros noventa e nove. E, de fato, por mínimas as chances, dos outros 99, 98 poderiam ser de fato o restante de mim que você não conhecia direito. Não. Não era. Eu só era aquele um por cento, eu só sou ele. O resto é defeito. Defeito por excesso. Só que você não sabia disso.

Você não sabia que minha carência era insuportável. Você não sabia que minhas opiniões erradas poderiam ser fortes ao ponto de eu não mudá-las até mostrarem o contrário. Eu só acreditava quando me mostravam a verdade. Eu sempre era Tomé até Jesus aparecer à minha frente. Você não sabia quão cabeça dura eu era, nem quão desorganizada eu era, nem que eu chegava a ser chata por querer respostas instantâneas para tudo, até para aquilo que nunca, na história da humanidade, teve resposta. Mesmo não sabendo, você se apaixonou. Droga de paixão. 

Todavia um dia você me conheceu. E, em outro dia, me viu chorando no encontro de duas paredes e um chão, em um dia em que estava em guerra comigo mesma, que me sentia um lixo. Viu que eu não era forte. Descobriu que o motivo do meu choro era aquela sensação de incapacidade por eu nunca conseguir me livrar daqueles defeitos que eu bem conhecia por ter 29 anos de convivência comigo mesma. Eu praticamente joguei na sua cara cada uma das minhas falhas. E eu gritava com você, por mais que você estivesse a centímetros do meu rosto. Perguntava com todas as forças das minhas cordas vocais: "Como você pôde se apaixonar por mim? Eu sou um monstro, eu não mereço. Eu não posso ficar com você, eu não posso viver uma mentira, eu não posso."

E você permaneceu ali. Ao meu lado. Naquela noite em que completávamos nossos 5 anos de casamento. Naquele momento, eu me dei conta de que a paixão havia acabado e se esqueceram de me avisar. Você me beijou a testa, não bem um beijo. Apenas encostou e repousou os lábios ali. Nós nunca havíamos brigado antes, exceto pelas suas cuecas deixadas no chão do quarto e pelas minha mania de querer sempre tudo com exata pontualidade. Eu não queria brigar. Eu não gritei para brigar. Foi só um desabafo.

Você sorriu. E só. Olhando-me quase de um jeito que fez com que minha alma se concentrasse só nas minhas pupilas. "Eu sei bem quem você é" - você disse baixinho, tentando me acalmar - "e você não é nenhum monstro. Na verdade, ser cabeça dura não a torna um monstro. Não querer mudar o mundo não a torna menor do que Mandela ou Gandhi. Ter defeitos não faz de você menos humana. E eu gosto de você, mesmo com todos esses defeitos e você é digna de mim porque você me faz sorrir mesmo com todos eles."

Sim, a paixão havia acabado. Ele sabia de todos os meus calcanhares de Aquiles e de todas as minhas falhas. De todos os pedaços que em mim faltavam para a minha redenção. Eu não era mais um por cento para ele, eu era 100, eu era tudo aquilo que eu achei que em mais de dez anos ele nunca ficou sabendo. A paixão deu seu completo espaço ao amor. Ela havia acabado, mas mesmo assim aquele para o qual eu disse "sim" no altar permanecia comigo. Descobri que ele sabia de mim como talvez nem eu mesma nunca soube. E ele aprendeu a aceitar o meu jeito com o tempo. Ele viu que mesmo os outros noventa e nove por cento idealizados não serem minha realidade, valia a pena estar ao meu lado por aquele um restante cheio de lados bons.

E um dos meus lados bons era ele. Eu também me apaixonei, mas com o tempo comecei a ver quão irritante era o fato de ele sempre estar atrasado. E era "insuportável" o fato de ele odiar falar sobre sentimentos. Mesmo assim eu soube amá-lo como ele me amava. E saber amar... Essa talvez seja a melhor parte de mim. E faz o um por cento valer a pena.